sexta-feira, 6 de março de 2009

O que há em mim é sobretudo Cansaço...


Se, ao menos, tivesse um simples bilhete para assistir ao concerto de Rodrigo Leão cá na cidade, este Cansaço dissiparia um pouco... pelo menos, durante esse momento... Mas, não existem mais bilhetes, esses simples bilhetes...
E, este Cansaço dura e perdura...
Cansaço de Cansaço...
Cansaço de viver à custa de Sonhos...
...
"Não, não é cansaço...É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!..."
(Álvaro de Campos)

2 comentários:

Chuva disse...

Tão bonito, mas tão sofrido!
Adoro F. Pessoa.
Bj gd!

Chuva disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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